O Imperador do Mundo

Olhe para mim
Sou o ser humano
Eis minha maior dádiva
E meu maior castigo

A natureza me teme
Pois sou o destruidor de lares
O poluidor dos ares
E dos oceanos

Ao me avistarem
Os pássaros fogem
Do joão-de-barro ao sabiá
Todos com medo do homem

Por onde passo é caos
Tragédia e desordem
Árvores queimam
E florestas se incendeiam

Sou o ceifador dos campos
O ceifador da vida
Imaturo e inconsequente
Tudo destruo, impiedosamente

E se invadem meu lar
Que da fauna roubei
Os faço pagar
Com chumbinho e spray

Triste é
Ser o que sou
Do verde
Quase nada restou

Meu mundo hoje é cinza
Assim como meus pulmões
Os cantos dos pássaros, são buzinas
E meus tapetes, peles de leões

Da Terra
O solo tomei
E cada canto
Dele asfaltei

Cada peixe do mar
Eu cacei
E nem suas ovas
Suas crias, poupei


Moluscos, crustáceos, répteis
Aves, mamíferos e anfíbios
Todos dignos
Do prato de um rei

E este sou eu
Homem, O Imperador do Mundo
Que a tudo e a todos governa

O mais sábio dos seres
Que a pureza corrompe
Com toda sua baderna

© PAOLO VALLINARI 2019