Atirando na Escuridão

A insônia me assombra
Na madrugada infinita
Pensamentos de sobra
Penso, pessimista

Minha amada
Minha querida
Minha namorada
Tão mudada...

Em meu âmago
O desespero tomou conta
Seu ego
A transformou em outra

Não sei mais o que pensar
Só sei que muito sinto
A imensa dor de amar
Sozinho em meu recinto

Sem ter para onde correr
Sem saber o que fazer
Tento o nítido futuro
De alguma forma reverter

Atirando no escuro
Melancólico
Por dentro
Urro
Por fora
Nem mesmo sussurro

A tristeza me afoga
Em lágrimas
A ideia da perda
Da partida
Me enlouquece

Pensar em uma vida sem ela
Só não mais me entristece
Que a ideia de com outro vê-la

De pensar em um amor que cresce
Enquanto ela
Aos poucos
Me esquece

As mensagens em músicas
Parecem tão destinadas
Pergunto-me se ela leu as letras
Antes de para mim cantá-las

Rimas, palavras
Para mim não valem mais nada
Deixo ao leitor que interprete
Se me refiro as do poema
Ou da amada

É claro
À poesia
Inspirada
Por tamanha melancolia

O dia amanhece
O galo canta
Ninguém adormece
E ela ainda me encanta

Independente de tudo
Ainda à amo demais
Neste caderno de estudos
Exponho o coração deste rapaz

Apertado
Doente
Amargurado
Carente

Carente, de alguém que mente
Que omite
Que não admite
O que sente

Que não mais é sincera
E então
Nada mais prospera
Nessa relação

Sua aspiração
Tomou conta de seu coração
Sua ambição
Tirou-me da primeira posição

De prioridade
Virei antiguidade
Fico na prateleira
Acumulando poeira

Não mais se diverte comigo
Nem mesmo sou mais
Seu melhor amigo
Sou só um rapaz

Usado me sinto
Jogado de lado
Esquecido
Não minto

Sinto saudade
De nossas risadas e brincadeiras
De sua sinceridade
Hoje, são apenas mentiras

Teve oportunidades
De escolher
Entre desfilar
E se deixar fotografar
E fiel aos combinados
Se manter

Preferiu as fotos
Aos desfiles e ao dinheiro
Me deixou chorando
Me trocou por inteiro

Estou acabado
Talvez como o nosso amor
Como tudo
Que construímos

Não sei nem o que dizer
Horas passaram-se
E continuo a escrever

Tentando fazer
Com que perceba
O que está acontecendo
Estou morrendo

Estamos morrendo
Nós, os dois

Por quê?

Atiro no escuro
Mais uma vez
Mas agora não
Em seu coração

Procurando a salvação
Do nosso amor
Afundo-me em dor
Pois vejo que luto em vão

Tentei ser o cupido
De nossa paixão
Mirei em você de novo
Mas não houve reação

Por fim atirei
Agora no meu
Caído, morrendo
Te digo:

"Eu sempre fui teu."

© PAOLO VALLINARI 2020